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Por mais que nos definamos como animais racionais, o fato é que muito do
que somos e fazemos dizem mais respeito aos nossos sentimentos do que à nossa
capacidade de raciocínio. E, evidentemente, nosso emocional surge de forma
bastante espontânea, bem mais do que os intrincados caminhos do pensamento
lógico podem conseguir.
Acontece que a gama de emoções é bastante grande entre nós, muitas delas
opostas entre si, o que pode nos levar a pensar se não são representadas pelo
mesmo sentimento com o sinal trocado – coisas como as dicotomias amor-ódio,
serenidade-exasperação, alegria-tristeza, dentre outros. Essa preponderância
levou à construção de teses metafísicas que, à primeira vista, pareceriam
absurdas. Empédocles de Agrigento, filósofo grego que via a composição de todas
as coisas construídas através da articulação dos quatro elementos (vide),
tinha uma curiosa teoria sobre o modo com o qual a mecânica dos elementos fazia
com que um preponderasse sobre o outro. Em resumo, todas as coisas são
compostas pela mistura de terra, fogo, água e ar. Cada um desses elementos é
chamado por Empédocles de raiz. Podemos notar o teor de cada uma dessas raízes pelas características
físicas de cada objeto. Algo quente, por exemplo, tem um teor da raiz “fogo”
elevada, e algo diáfano teria uma maior quantidade da raiz “ar”.
Porém, se todas as coisas são feitas dos mesmos elementos, e estas são
diferentes entre si por conta da diversidade de teores de suas raízes, o que
faz com que eles não tenham sempre as mesmas proporções e sejam sempre iguais? Ou
seja, por que tudo não tem a mesma temperatura e densidade? Empédocles concluiu
que havia alguma força que fazia com que as raízes se atraíssem e repelissem, forçando
os objetos à nossa volta a viver em eterno movimento – tudo o que sobe, desce;
tudo o que é quente, esfria e assim sucessivamente. A essas forças de atração e
repulsão, Empédocles deu o nome de – vejam vocês – amor e ódio, como se as
partículas das coisas se amassem e se odiassem da mesma forma que nós, humanos.
Esse pensamento, simplificado da forma como agora exponho, pode parecer um
tanto ridículo, mas, se pensarmos nas forças gravitacionais e de centrifugação,
e na energia eletromagnética, com a repulsão entre polaridades iguais e atração
nas diferentes, veremos que nosso pobre amigo não estava tão errado assim,
ainda mais tendo só a dedução como ferramenta.
Voltando à questão das emoções, podemos tentar pensar qual delas faz o
mundo se mover. Para mim, terminantemente é o medo. Se pensarmos que a vida é,
antes de mais nada, o sucesso na sobrevivência, veremos que o medo é
absolutamente central e necessário, mesmo que este pensamento pareça
excessivamente angustiante. Pensando na totalidade das espécies, veremos que é
o medo que impede os riscos desnecessários, que obriga a manutenção de
reservas, que deixa as espécies “ligadas” nas movimentações, etc.
Mas tudo na vida tem sua justa medida, inclusive o medo. O medo na quantidade
certa é obrigatório para a sobrevivência, mas seu excesso nos trava e pode fazer
com que não tenhamos medo de coisas ainda mais graves, contraditoriamente. A
hipocondria, por exemplo, é um medo tão grande de ficar doente que nos faz
perder o medo de se entupir de remédios e, adivinhem, ficar doentes!
Esse medo excessivo dirigido a um determinado objeto ou situação é o que
chamamos de fobia*. É um medo desprovido de sentido, porque a ameaça não é
real. Nasce, no mais das vezes, de traumas infantis ou de imposições culturais
que são interiorizadas fortemente pelas crianças, muito embora haja fobias
desenvolvidas por adultos. Em geral, são inconscientes, mas há casos em que é
possível rastrear sua origem facilmente.
A fobia é caracterizada por dois aspectos: ela é irracional e desproporcional.
É como alguém que tem medo de ladrão mesmo estando internado no quartel da
polícia. O fóbico exponencializa seu medo a ponto de achar que haverá o tal
ladrão saindo mesmo de dentro da privada. Enfim, é o medo das coisas mais
improváveis e infactíveis.
Todos nós temos nossos medos dirigidos e, em certa medida, também temos
nossas fobias. Como eu já disse, muitas delas precisam ser exaustivamente
rastreadas por especialistas para terem sua origem detectada, mas, ao contrário
do que é comum, algumas são fáceis de explicar. Uma delas chama-se acridofobia,
o medo patológico de gafanhotos.
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Comprei estes gafanhotos de um noia... |
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