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sexta-feira, 13 de março de 2020

O cesto da gávea de onde observo o mundo – Epílogo: onde continuarei escrevendo minhas histórias?

Olá!


Sabe aquela sensação estranha de coisa incompleta? Tipo quando você vai no estádio ver um jogo que não sai do 0 X 0, ou quando você vai na casa da avó e não come bolinho de chuva? Era mais ou menos o que estava acontecendo com a falta deste texto, que ficou pendente por tempos, desde que concluí os relatos da minha viagem à Vertente Oceânica Norte, nome besuntado de glamour para a região de Paraibuna, São Luiz do Paraitinga e vizinhanças. Gestalt explica? Pode ser, leiam aqui. Tinha deixado este epílogo em stand by, aguardando um retorno ao Núcleo Santa Virgínia, reserva ambiental que fica encravada na Serra do Mar, e que demandaria alguns dias para percorrer algumas de suas longas trilhas. Acontece que eu fui para bem perto de lá nesses últimos dias, e enriqueci esta série com mais quatro textos. Sendo assim, decidi compor este post de fechamento, para tirar esse inútil peso da consciência. Tão logo vá ao Núcleo, farei as inserções necessárias. Esse é o lado bom de ser o patrão das próprias palavras, uma das poucas coisas em que tenho autonomia na vida.

Depois de passar em tanta parte, na maioria das vezes cidades pequenas, com muito pouco a ver com a megalópole paulistana, passei a ficar um pouco mexido nas minhas convicções tipicamente urbanas, e passei a pensar no que eu quererei para daqui a alguns anos, quando certas amarras que ainda me ligam à Terra da Garoa já estiverem suficientemente desatadas.

Vou dar uma ideia do meu estado mental. No último sábado, passei por um lugar em que eu era frequente nos tempos de moleque. A Avenida Renata ligava a Vila Diva à região do cemitério da Vila Formosa, um dos maiores do mundo. Todas as vezes em que um professor pedia um trabalho um pouco mais elaborado, a desmilinguida sala de livros de minha escola não dava conta (leiam a aventura que isso me gerou aqui) e eu acorria para a biblioteca situada naquele logradouro, a menos ruim daquela região. Para quem ia a pé, era um bocado longe, e, para disfarçar a distância, eu ia pelo meio do matagal que encimava os canos da adutora do Rio Claro. De lá, era virar à esquerda na Rua Planeta e pegar a avenida desde o começo. Era um lugar bastante calmo, cheio de casinhas e com um comércio ainda incipiente, de modo a ser um núcleo agregador daquele pedaço da Zona Leste que ainda se assemelhava um pouco às cidades interioranas. Neste sábado passado, muito pelo contrário, fiquei pelo menos meia hora para cruzar seu aproximado quilômetro, coisa que fazia mais rápido na caminhada. Tentei ver o que havia de errado, mas não há nada além de um intenso comércio e uma Avenida Abel Ferreira para conturbar o fluxo, onde antigamente ficava um hoje desaparecido córrego. Das casinhas, meia dúzia ainda resta, e senti uma estranha solidariedade com gente que nunca vi, e que deve pedir prestimosa licença para conseguir sair de casa. É muito estranho alguém que mora no Centro desta nervosa metrópole falar isso, mas… sério. Não sei se eu teria saco de encarar voltar para um bairro e ter uma fila indiana na janela do quarto. Para isso, já estou psicologicamente preparado para o deserto dominical das traseiras do Corpo de Bombeiros, quando mais utilizo transporte individual.

Mas não é só uma questão de impaciência. Talvez, na verdade, essa seja só uma consequência de um tipo de mal-estar que ainda não diagnostiquei com muita precisão. Afinal de contas, por mais que São Paulo seja uma cidade que cansa no trânsito intenso, nas miríades de semáforos, no asfalto lunar, na insegurança das vielas, nas enchentes das baixadas, na indiferença dos concidadãos, ainda é o núcleo para onde o país converge. E aqui há tudo, simplesmente tudo: as melhores escolas, os melhores museus, os melhores médicos, os melhores estádios, os melhores cinemas, as melhores lojas. Esse porre provavelmente tem outra origem, e aventar a hipótese de morar no interior passa por uma análise bem cuidada (e pela transitoriedade do aluguel).

É curiosa a reação das pessoas do interior quando confrontadas com suas convicções. Várias pessoas com as quais conversamos sequenciam as vantagens de se morar no campo. Quando você aprofunda um pouco na história delas, é gente que viveu nas grandes cidades, stress após stress, e foi buscar a paz no mundo rural. Mas há uma galera que, pelo contrário, sonha com as capitais, com suas oportunidades exponencialmente maiores. Reclamam do tédio e da falta de perspectivas, e em geral são jovens que nasceram por lá mesmo. O valor para uns e para outros estão em polos diametralmente opostos. É estranho esse ser chamado homo sapiens, não é mesmo?

Entretanto, veio de um senhorzinho já bem senhorzinho uma das frases que mais me atentou a razão. Estando tomando alguns bons copos de vinho em sua adega, a conversa entabulada levou para a pergunta inevitável a estranhos: De onde vocês são? Ao reportar a localidade, nosso simpático e macróbio interlocutor afirma, com um certo ar de melancolia: “Ah, São Paulo... São Paulo sustenta tudo mesmo”. Não sei se eu deveria ter meu ego insuflado, já que não entendo até onde isso é um elogio e até onde isso reflete o que eu mesmo sou, mas o fato é que acaba por se tratar de mais uma azeitona na salada da minha cabeça. Será que eu vivo no melhor lugar possível? Será que a quantidade de recursos disponíveis suplanta qualquer outro tipo de valor?

Sei não. Tenho sentido cada vez mais vontade de me mandar daqui, embora ainda guarde muita relutância. É claro que um ser eminentemente urbano como eu pode até mesmo desejar uma casa de praia ou de campo, o que poderia suprir esse tipo de carência, só que eu superei de longe qualquer desejo nesses moldes. Haverá que demonstre o contrário, mas cem por cento dos casos que conheço pessoalmente resultam naquele arrependimento sintetizado na frase “há duas alegrias na vida de quem tem sítio: uma quando compra e outra quando vende”. Vale o mesmo para casa de praia. Parando para pensar, a empolgação inicial vai para o inferno no primeiro carnê de IPTU, ou na primeira fiscalização da prefeitura, ou na primeira invasão por meliantes, ou no primeiro reparo que lhe ameaçar a estrutura da casa. Mesmo se nada disso acontecer, o primeiro ano é de visitas a cada quinze dias. No segundo, a cada quinze semanas. No terceiro, já é possível passar batido. Sempre a mesma coisa, mesma coisa, mesma coisa, aditivada por manutenção recorrente e caseiro indolente. Tanta abertura a gastos e desencantos brocham nas pessoas qualquer intenção de manter um recanto do guerreiro. Por isso, mesmo que um dia eu possa, já combinei que não. Quando eu achar por bem, pego minha mochila, alugo um lugar e passo os dias desejados. Concluo que sai ferrenhamente mais barato e menos propenso a dores de cabeça.

Mas às vezes penso mesmo em me mudar para uma dessas pequenas urbes. Várias delas me produzem um encantamento, e de repente me vejo projetado em algumas. Em Areias, por exemplo, vi as casinhas que parecem pequenas por fora, mas que possuem quintais gigantescos nos fundos, onde o insondável Homem-Cueca poderia correr à vontade atrás das galinhas que eu certamente passaria a criar. Já em Monte Alegre do Sul talvez eu resolvesse bancar de pesquisador, montando um pequeno alambique nos fundos de casa para desenvolver a cachaça ideal. Ou então em São Luiz do Paraitinga, onde eu me misturaria a um dos povos mais bem-humorados que já conheci, alugando uma casinha na Vila Rosário para assar pães em um forninho de barro a ser montado, para depois filosofar na praça defronte à igreja ou cantar músicas da década de 80 com a patroa, nas mesas do boteco da Dani ou nos pés da escada do Largo do Teatro, embaixo da noite estrelada.


Pensando menos romanticamente, acho que eu estou tentando procurar novamente a minha turma. Durante estes quase nove anos que escrevo por aqui, já choraminguei um bom tanto pelo decréscimo na circulação de gente na minha casa. Ela trafegou de um polo de intensa movimentação de jovens para um lugar quase que pacato, agravada pela mudança do meu menino mais velho para o interior do Paraná, onde ele tenta a vida. Morreu uma pá de gente importante na minha vida: minha mãe, meu pai, meu padrinho, minha comadre, entre outros. Dei-me conta outro dia que, de todos os nove moradores da minha casa na Vila Ema, só sobrou eu. Só eu tenho ainda guardadas as histórias de um período meio grande da minha família como um todo, e isso me assustou um bocado. No âmbito particular, é uma responsabilidade e tanto ser o custodiante desta parcela do “brasão”. Não faz muito tempo, houve uma reunião de família com parentes distantes, que não víamos há mais de 30 anos. Dos descendentes da Mariuccia, minha nonna, só tinha eu!!! E não por falta de convite, mas de sobreviventes. Bom... Chega de chororô.

Sempre que falamos no social, pensamos na estrutura algo mecanicista na qual os indivíduos se articulam. Mas há uma diferença essencial entre a sociedade e a sociabilidade. A primeira diz respeito exatamente a esse aspecto racional dos agrupamentos de seres humanos, enquanto o segundo vai na via do afeto, no modo mais íntimo como as pessoas se relacionam. Há que se marcar bem a diferença: enquanto na sociedade falamos em indivíduos, na sociabilidade falamos em pessoas. Desta forma, há níveis diferentes de sintonia em que “vibramos as nossas frequências” com relação ao nosso meio social. Eu, por exemplo, vivo em um prédio onde mais da metade dos moradores são senhoras de uma ordem católica muito fechada, com pouquíssimo ânimo para relacionamentos mais profundos. Estão exatamente na margem de lá de onde eu vim, com seus limitadíssimos bons-dias e com-licenças. É um fragmento de sociedade, não há dúvida, mas não é um espaço da sociabilidade.

Se eu busco algum lugar onde há experiências sociais ou compartilhamento de sensações estéticas, certamente não é neste vetusto predinho. Quando meus mortos ainda não arrastavam suas correntes e a moçada não tinha criado asas, esse distanciamento era todo suplantado. Quando todos se foram, eu e aqueles da minha casa caímos no tempo das tribos de Michel Maffesoli. É preciso readequar novamente o indivíduo isolado ao seu aspecto coletivo, e isso só se consegue procurando uma nova tribo.

Não quero aqui dizer que colocarei flores na cabeça e virarei hippie. O conceito de tribo em Maffesoli vai além destes simples agrupamentos em torno de uma causa comum (embora os inclua). Segundo ele, uma tribo é uma fusão comunitária onde ocorre uma desindividualização, uma união do toque, da interação íntima e da união de pontos esparsos em uma única massa. Como é no âmbito dos pequenos grupos que a magia da sociabilidade se desdobra, esse neotribalismo dá uma ideia de como a identidade cultural torna possível uma relação que se fundeie no gosto, uma espécie de “retorno ao dionisíaco”, como estabelece o próprio mestre francês. E onde eu posso buscar um novo coletivo do qual eu possa fazer parte? Onde haja algum elemento onde eu me identifique.

Hoje, seria esse: lugares onde eu, a patroa e as crianças (se possível) possamos estreitar aquele velho clima de vizinhança que, sim, podemos dizer que assemelhados a tribos, considerando as quatro características delas –  a informalidade das solidariedades orgânicas desvinculadas do racionalismo, o sentimento de pertença, um ativismo sem vínculos a manuais e a fluidez do aqui e ali incessável, que vai com as marés, como é a própria vida. Falando rapidamente sobre cada uma dessas características, podemos dizer que

1. A cultura que brota das relações de uma tribo não é formal, como aquela que é descrita pelos planos de aulas das escolas ou que cristalizam as regras da linguagem, apenas para dar alguns exemplos. Esta cultura informal é permeada de uma emotividade que foge do racionalismo interposto pela sociedade mais organizada em ponto maior. Assim, as relações da tribo surgem “de dentro”, mais orgânicas e naturais que aquelas que observamos no distanciamento da sociedade estrutural;

2. Quando partimos da premissa que um nicho social é maior que o indivíduo isolado, devemos assumir que um homem não vive sem determinados elementos que vão além de si próprio, e que obrigatoriamente ele estará em relação permanente, não só com o outro, mas com o território onde habita. Maffesoli fala sobre a proxemia, que é a distância relacional existente entre as pessoas e que, por proximidade, acaba por agrupá-las em tribos distintas. Nossa noção de pertencimento é tão forte que tanto pode nos alinhar organicamente ao grupo quanto nos distanciar dos demais;

3. Como a tribo tem razão de ser endógena, o seu ativismo não é principal característica quando se observa seu papel na sociedade maior. Quando ele existe, possui parâmetros totalmente particulares, como o escapismo hippie ou a negação à autoridade punk, que fogem ao escopo social normalmente reconhecido, com o ativismo político através de eleições ou pressão parlamentar;

4. Grupos conformes são impermanentes, variando de acordo com o sabor das circunstâncias ou com a própria deterioração do tempo. Essa fluidez permite que tribos distintas se toquem e até se absorvam, se cindam e se fundam, de modo indefinível.

É em um lugar em que eu me sinta de novo pertencente que eu quero levar patroinha e os filhos que para lá quiserem ir, e lá manter os registros que faço aqui constantemente, tentando trazer ao plano físico aquilo que mantenho ainda hoje na dimensão virtual com vocês, meus ainda resistentes leitores. Vamos ver no que vai dar e bons ventos a todos!!!

Recomendações:

Vamos para o habitual: as distâncias das cidades da série da capital. Nenhuma delas leva mais de três horas de viagem, o que permite os famosos bate-e-volta. Talvez Cunha fique um pouco forçado, mas não é impossível. Vão até lá.

Jambeiro – 118 Km
Paraibuna – 123 Km
Natividade da Serra – 185 Km
Redenção da Serra – 163 Km
Lagoinha – 191 Km
Cunha – 231 Km
São Luiz do Paraitinga – 173 Km
Santa Branca – 94 Km
Salesópolis – 115 Km
Guararema – 79 Km

E também segue a indicação do livro de Maffesoli, sociólogo ainda vivo, que desenvolveu o hoje tão propalado conceito de tribo urbana.

MAFFESOLI, Michel. O tempo das tribos. O declínio do individualismo nas 
sociedades de massa. Rio de Janeiro: Forense, 1998.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

O cesto da gávea de onde observo o mundo - 2ª mirada: Paraibuna, astrologia e subjetividade

Olá!

A rodovia dos Tamoios dá acesso a três das mais belas cidades do litoral paulista: Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela (escrita assim mesmo). Mas a vibe não estava para praia (leia este texto para entender melhor minha posição). Após sair de Jambeiro, já na parte da tarde, nossa rota apontou para Paraibuna.



O nome da cidade tem tudo a ver com o principal rio da cidade, o Rio Paraibuna, que, ao somar-se ao rio Paraitinga (do qual falaremos em post futuro), dá origem ao rio Paraíba do Sul, tão importante que dá nome a toda a região que corta, o Vale do Paraíba. “Paraibuna”, segundo o site da prefeitura local, significa “rio de água escura”, o que somente é verdade no aspecto visual. Pega com a concha da mão, é água normal como qualquer outra. Suas margens contêm muitos pontos de pescaria, e, embora eu tenha localizado alguns locais de despejo, é limpo o suficiente para dar sobrevida a muitas espécies de pássaros e persistentes capivaras, abundantes mesmo em área urbana.



Super flumina é o lema da cidade, que quer dizer “sobre os rios”. A origem deste termo vem de um salmo da Bíblia, que versa lamentações do povo hebreu escravizado pela Babilônia, e que clama por vingança com aquela gentileza típica do Velho Testamento. Como o salmo é curtinho, vou transcrevê-lo abaixo. A parte do choro é bastante bela, mas o arremate é de doer.

1. Sobre as águas dos rios da Babilônia, nos assentávamos chorando, lembrando de Sião. 2. Nos salgueiros daquela terra, pendurávamos, então, as nossas harpas, 3. porque aqueles que nos tinham deportado pediam-nos um cântico. Nossos opressores exigiam de nós um hino de alegria: Cantai-nos um dos cânticos de Sião. 4. Como poderíamos nós cantar um cântico do Senhor em terra estranha? 5. Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, que minha mão direita se paralise. 6. Apegue-se minha língua ao céu da boca, se eu não me lembrar de ti, se não puser Jerusalém acima de todas as minhas alegrias.

7. Contra os filhos de Edom, lembrai-vos, Senhor, do dia da queda de Jerusalém, quando eles gritavam: Arrasai-a, arrasai-a até os alicerces. 8. Ó filha da Babilônia, a devastadora, feliz aquele que te retribuir o mal que nos fizeste. 9. Feliz aquele que se apoderar de teus filhinhos, para os esmagar contra o rochedo.

Mas o lema não se dá unicamente pela existência do rio. Toda a sua vida é influenciada pela enorme represa que lhe toma boa parte de sua porção leste, e que lhe pega de empréstimo o nome. Os habitantes se vangloriam de ser a represa mais limpa e bem conservada em termos ecológicos do Brasil. É, de fato, um local onde não se vê as paredes de espuma que vemos na Billings ou na Guarapiranga, nem a sujeira das bordas, que formam imenso depósitos de lixo nos remansos, além de ter um relevo que a favorece esteticamente, como os braços que se veem das estradinhas de terra ao seu redor.



É, portanto, um paraíso para quem gosta de pescar ou praticar esportes náuticos, com a vantagem de possuir águas calmas e uma verdadeira miríade de ilhas espalhada pelo seu gigantesco espelho d’água.



A administradora de todo esse manancial é a CESP, já que o mesmo foi construído justamente para tocar a usina hidrelétrica de Paraibuna, que é uma das mais importantes controladoras da vazão do rio Paraíba do Sul. Como tal, esta companhia se responsabiliza por manter balsas que ligam, de hora em hora, partes do município e de outras cidades que ficariam isolados de outra forma, já que a represa pegou todo esse pessoal de supetão. Após passar pela usina, é possível encarar uns 30 quilômetros de estrada de terra para chegar à balsa mais próxima.



Quem está acostumado com as barcas estilo ferry boat do Rio de Janeiro ou as balsas chatas de pequeno calado autônomas das travessias do litoral paulista vai achar curioso: as balsas da represa de Paraibuna são pranchões sem motorização, que são conectados a um rebocador, o autor do serviço pesado. Tivemos a infelicidade de ter um desses quebrados bem no meio da travessia, o que nos obrigou a ficar esperando por quase uma hora pela troca de propulsor. Mas, por outro lado, foi possível acompanhar in loco toda a operação náutica necessária para fazer a permuta.



De lá, serpenteamos mais um pouco pelas ilhas até chegar à balsa de Natividade da Serra, mas isso é história para o próximo post da série.

Paraibuna, como é comum por essas cidades tropeiras, tem um conjunto de construções bastante interessantes, como o complexo que abrange a Igreja do Rosário...



... a Santa Casa de Misericórdia Divino Espírito Santo...



... e o Instituto Santo Antonio, um antigo colégio interno e orfanato, que até hoje atende crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social (miséria, em tucanês). Todos eles às margens do rio Paraibuna.



Por ocasião de nossa visita, estava sendo realizada uma festa para levantamento de fundos da tríplice instituição, ora centenária. Como curiosidade, tenho a contar que, além dos típicos bingos, rifas e barraquinhas de algodão-doce-pipoca-amendoim-quebra-queixo-sorvete-pamonha, aqui também temos leilões de criações. Galinhas a granel, porquinhos, cabritos, casais de coelhos e patos, e até novilhas. O animador parecia um daqueles locutores de rodeio.



Contornando o morro central da cidade, chega-se ao produto que a tornou notória: a bananinha. Acho um pouco injusta essa fama toda. Não pela qualidade do produto, muito pelo contrário. Mas é que dá a impressão de que a cidade é um imenso bananal, com lavradores carregando as pencas nas costas em direção a uma imensa usina fumegante. Deste painel, só o cheiro do doce é verdadeiro. E é bom, viu?



Isso porque, como eu já disse, é uma cidade típica dos tropeiros, algo que vai muito além da banana. Do lado do morro oposto ao do rio Paraibuna, temos o principal conjunto arquitetônico que denota essa característica, começando pela bica d’água, toda feita em azulejos, e que se encontra funcional. A frase na parte de baixo foi deturpada por algum moleque sem noção de patrimônio histórico, naturalmente: “Quem bebe água da BICA, aqui fica”.



E, logo ao lado, fica o Mercado Municipal, o mais bem estruturado da região, onde podemos encontrar, aqui sim, tudo de típico que há em Paraibuna.



Há doces – principalmente a “taiada”, rapadura misturada com farinha e gengibre. Há cachaça de todos os tipos, sendo a vedete aquela misturada com cambuci, fruta que tem um cheiro doce, mas um sabor bastante ácido. Também desta fruta são encontrados compotas e xaropes. Há vendas de panelas de barro e de ferro. Há chapéus e acessórios vários. Há grãos a granel...



... e há comida. Uma espécie de relíquia do mercado é o pastel de milho do falecido Manezinho, que deixou a receita única para seu genro. Crocante por fora, com a carne moída após o cozimento garantindo a maciez por dentro, é daquelas coisas que se come em estado de contemplação.



E, para o almoço, temos o “fogado”. É um prato que se prepara de um dia para o outro, com a carne de segunda cozinhando lentamente em fogo brando por toda a madrugada, resultando em um ensopado com a carne já quase que desfiada.



Os pratos são verdadeiros épicos, mais se assemelhando a discos voadores. Em resumo, é para os fortes. Veja a cara mista de consternação e locupletação da patroa, com o restaurante responsável ao fundo. É daquelas coisas para colocar na lista “o que fazer antes de morrer”.



Por fim, no alto do outeiro que centraliza a cidade, temos a igreja matriz (que surpresa), ladeada por uma série de casarões coloniais. É a igreja de Santo Antonio, uma das mais lindas que eu já vi, sem exageros. Na parte de dentro, a história do santo é contada em painéis pintados no teto, e a nave central contém, no arco de abóbada, uma frase de lavra de nosso caro franciscano, com um conjunto de cores que está entre o insólito e o diáfano, dando boa resposta à luz natural.



Na parte de fora, um estilo barroco com revestimento de azulejos, coisa típica de portugueses, em uma foto tirada de dentro do indefectível coreto.



Mas há algo de estranho no campanário...



Aproximando o zoom da câmera, podemos perceber ao redor do relógio...



... a inesperada presença dos signos do zodíaco!



Pensei que fosse algo raro, mas fazendo uma rápida pesquisa, encontrei esta página que contém uma série de relógios astrológicos absolutamente incríveis, espalhados por toda a Europa.

Pois muito bem. Temos diante de nós uma contradição. A religião católica baseia-se na Bíblia, que proíbe, em vários de seus versículos, a prática de astrologia*. Mas o uso dos signos do zodíaco nos relógios de igrejas e catedrais faz crer o contrário.

Aqui nós temos que tomar certos cuidados. Como podemos explicar o surgimento da astrologia? Vou tentar fazê-lo com minhas próprias palavras, das coisas que aprendi. Como já dei uma pincelada neste texto e neste outro, o homem sempre procurou, desde os primórdios, dar motivos para as intercorrências de sua vida. Só que hoje em dia temos instrumentos e elementos que nos permitem não só dar explicações a origens e procedências, mas também a construir modelos com bom nível de predição, tais como foram as ondas gravitacionais de Einstein, detectadas este ano, mas descritas há cem anos.

Mas hoje temos tudo isso por conta do patrimônio intelectual acumulado nestes relativamente poucos milênios de existência da espécie humana. Até o Renascimento, muito pouco tínhamos andado com o conhecimento científico, e as deduções tinham um espectro muito mais largo, o que produzia inúmeras falsas correlações. As mais clássicas dizem respeito à posição dos astros no firmamento.

A lógica era a seguinte: vamos imaginar um lugar onde há invernos rigorosos. Estamos em uma época onde a conservação dos alimentos era muito difícil, e a caça e a coleta não eram proveitosas em ambientes repletos de neve e gelo. As crianças que nascerem nesta época terão nutrizes menos bem alimentadas, e, por conseguinte, elas mesmas não terão ao seu dispor todos os elementos que necessitam para um crescimento saudável. Crianças mais fortes, portanto, nascem no verão, com seus melhores humores e mais energia para encarar o mundo. É claro que a personalidade não é composta apenas pelo fator ambiental, mas não há dúvida que o vigor físico de uma criança refletirá em seu caráter.

O que faz o homem antigo? Observa a posição dos astros no momento do nascimento da criança e atribui a eles as características do fedelho. Isso porque a humanidade divinizou as estrelas e os planetas, porque imputava a eles a causa pelos acontecimentos diversos do mundo: as chuvas, as floradas, as colheitas, a disponibilidade de caça e pesca. Portanto, assim como a posição dos astros em tese determinavam os meios de subsistência, também faria sentido se controlassem os demais aspectos da existência, como a índole das pessoas. Conceitos físicos como os que expus acima eram desprezados, porque seriam meras consequências ou das vontades dos deuses, ou da influência dos corpos celestes. É um pensamento cum hoc, de correlação de coincidências, como pode ser lido neste texto.

Essa lógica persistiu por séculos, atravessando inclusive a ascensão dos monoteísmos. Se é fato que as funções divinatórias da leitura das rotas dos astros foram sendo combatidas por suas teologias (que não aceitavam uma regência maior que a de sua divindade), também não conseguiam remover o fato de que alguns conjuntos de circunstâncias aparentemente casavam sempre com o posicionamento dos corpos celestes. A ausência de dados científicos, que teriam o condão de atribuir outras causas aos fenômenos, dificultava o afastamento da hipótese astrológica.

Pior. Um dos mais proeminentes pensadores cristãos, São Tomás de Aquino, reconhece, ele mesmo, a influência dos astros na sensibilidade e na inteligência das pessoas, como se pode ler em seu Compêndio Teológico (Capítulo 128). Ele entende que os corpos celestes atuam indiretamente na vontade humana, e que é dever do homem resistir a estas influências, fazendo uso de sua razão. Desta forma, compreendemos que, mesmo não reconhecendo um efeito que impeça o livre-arbítrio humano, o principal teólogo da Idade Média não retira por completo a capacidade dos astros de influenciar as escolhas humanas. Isso, senhores, é astrologia.

Tudo isso, vejam bem, era perfeitamente compreensível até o momento em que o patrimônio intelectual da humanidade passou a receber mais e mais informações que embasavam outras visões, menos metafísicas. A descoberta da gravidade, do heliocentrismo, das órbitas planetárias, de novas constelações e planetas deveriam demonstrar que os astros não têm nada a ver com nossa vida, ao menos no sentido interior, de formação da personalidade. Mas não. Ainda há muita gente que acredita em horóscopo.

Algumas das alegações: se a lua e o sol são capazes de influenciar as marés, por que não poderiam mexer com nossos corpos, tão cheios de líquidos? Pelo simples motivo de que somos infinitamente menores do que os planetas, ora. Há mais ação gravitacional entre você que me lê e o dispositivo onde me lê do que entre o planeta Saturno e nós, por exemplo. E olhe que a atração gravitacional não impede que seu celular se arrebente no chão caso você o solte: o planeta Terra o atrai muito mais do que seu corpo. Outra coisa: as forças que atuam astrologicamente são metafísicas, ou seja, não podem ser detectadas empiricamente. Desculpe, neste caso temos um chute. Nem eu provo que não existe, nem você prova que existe. Ou seja, nada que esteja no campo científico.

A questão da astrologia é que ela tem certas cutrucas que lhe permitem uma elasticidade muito grande. Se você colocar duas pessoas do mesmo signo que sejam extremamente diferentes, haverá a divisão dos decanatos, que nada mais são que os períodos astrais divididos em dez dias cada, fazendo com que tenhamos, por exemplo, arianos do primeiro decanato, arianos do segundo decanato e arianos do terceiro decanato. Ou seja, os do primeiro são influenciados pelo signo anterior, os do terceiro pelo signo seguinte e os do segundo seriam os arianos “puros”, o que triplica as possibilidades de enquadramento do signo. Outro volteio diz respeito a pessoas muito semelhantes de signos completamente diferentes. Para este caso, temos os doze signos tipificados em quatro categorias, os chamados elementos: fogo (Áries, Leão e Sagitário), terra (Touro, Virgem e Capricórnio), ar (Gêmeos, Libra e Aquário) e água (Câncer, Escorpião e Peixes). Desta forma, se alguém for de Câncer, terá semelhanças com Escorpião e Peixes, além de aproximações com todos os outros signos que os circundam. Sem contar a questão dos ascendentes, do signo solar e do signo lunar, que dá uma plasticidade tão grande ao horóscopo que torna possível o encaixe de qualquer conjunto de circunstâncias em qualquer signo. Por isso é possível fazer a astrologia funcionar sempre.

Funcionar? Bem, para isso é preciso muita boa vontade. Boa vontade, na verdade, não; é preciso compreender o fenômeno psicológico denominado validação subjetiva. Este é o principal fator para fazer com que as pessoas ainda confiem em predições zodiacais.

O mais famoso experimento para detectar a subjetividade validatória foi conduzido pelo psicólogo e professor norte-americano Bertram Forer, que elaborou um teste muito interessante e que se tornou bastante conhecido, mas que, na ocasião, era uma autêntica pegadinha do Malandro. A coisa era assim: Forer forneceu a seus alunos um formulário que teria o propósito de testar suas personalidades. Após as respostas, e com base nelas, um avaliador lhes forneceria uma descrição da personalidade de cada um. Só que o avaliador não existia e, ao invés de avaliar as respostas, Forer desprezou-as, devolvendo a todos os alunos o mesmo texto, composto de frases extraídas de várias predições astrológicas, compondo o seguinte texto de treze tópicos:

Você tem uma grande necessidade de que outras pessoas gostem de você e te admirem.
Você tem a tendência a ser autocrítico.
Você tem um grande potencial inexplorado, que você ainda não usou a seu favor.
Apesar de você ter algumas fraquezas de personalidade, você geralmente consegue compensá-las.
Seus relacionamentos têm representado problemas para você.
Disciplinado e autocontrolado por fora, você tende a ser preocupado e inseguro por dentro.
Às vezes você tem sérias dúvidas ao pensar se tomou as melhores decisões ou fez a coisa certa.
Você prefere um pouco de mudança e variação, e fica insatisfeito quando cercado por restrições e limitações.
Você se orgulha por ser um pensador independente e não aceitar as afirmações dos outros sem provas satisfatórias.
Você descobriu que é imprudente em ser franco demais com os outros.
Às vezes você é extrovertido, afável e sociável, mas em outros momentos você é introvertido, cauteloso e reservado.
Algumas de suas aspirações tendem a ser pouco realistas.
Segurança é um dos maiores objetivos em sua vida.

Em seguida, cada um dos alunos deveria apreciar o texto e dar uma nota para o mesmo, nos seguintes termos:
  • 0 (zero) representaria nenhuma correspondência
  • 5 (cinco) representaria correspondência total
O resultado final: 4,26!!! Os alunos concordaram com praticamente tudo o que estava descrito no texto-resposta. A mesma, para todos. Uma turma inteira de pessoas iguais. A essa tendência em encontrar concordância com termos genéricos e tomá-los como verdadeiros é o que Forer gostaria de ter denominado de efeito Barnum, em alusão ao empresário circense Phineas Barnum, hábil na arte de convencer pessoas sem se expressar de forma precisa. Mas o efeito ficou mais conhecido por seu próprio nome, ou seja, efeito Forer. A partir deste teste pioneiro, inúmeros outros foram realizados, tanto para confirmar o efeito, quanto para comprovar a invalidade dos mapas e prognósticos astrais.

E o que podemos depreender desses experimentos? Assim como a humanidade somente descobriu que a Terra é azul quando saiu do planeta, também temos imensa dificuldade em reconhecer o que nós mesmos somos. Temos a tendência em achar que o conjunto de nossas características e convicções é bom e precioso, sejam elas físicas ou psicológicas, e apenas uma visão externa pode dar cabo da tarefa, o que pode ser particularmente doloroso para nós. Mas, sobre esse tema, o viés de confirmação, falarei com mais propriedade em postagem futura. Por ora, basta saber que conseguimos absorver informações genéricas sobre nós com muito mais facilidade do que dados específicos.

Se você ler com atenção à descrição de Forer, perceberá que é praticamente impossível não se encaixar nas predições. Algumas delas, inclusive, são tautológicas. Se há momentos em que você é extrovertido, e há outros em que você é introvertido, então temos a totalidade da sua vida! Desta forma, quem aceita uma descrição como essa, é dado a reconhecer-se vagamente, de não possuir uma visão realista muito apurada de si próprio. Essa é uma característica humana, e só quem está com o ceticismo em dia consegue detectar a armadilha. Afinal, a validação subjetiva, ou efeito Forer, é uma das principais ferramentas para a leitura fria, tema que venho tratando paulatinamente em meus textos.

Trocando em miúdos: temos a tendência de enxergar correlações onde elas não existem, em especial quando dizem respeito à nossa pessoa, pelo efeito de nos faltar externalidade. É muito difícil enxergarmos a nós mesmos. Quando um horóscopo qualquer nos diz alguma coisa, devemos, antes de dar crédito a ele, pensar se a sua aplicabilidade não se dá a qualquer ser humano. Este é um bom exercício para evitar consequências perniciosas.

E, finalmente, para encerrar o tema do relógio zodiacal: entendo que os doze signos do zodíaco representam a plenitude do espaço do céu, morada de Deus. Os signos do zodíaco formam uma circunferência pela abóbada celeste, de modo a compreendê-la toda – para cada ponto que você der uma mirada, verá um dos signos. Por isso, é razoavelmente compreensível que se encontre essa representação em uma igreja, ainda mais tendo em mente sua associação com o tempo representado pelo relógio. Totalidade do espaço e totalidade do tempo são paradigmas da onipresença e da infinitude, características do Deus judaico-cristão, e, com isso, encontramos um sentido possível para a curiosidade paraibunense, sem que o pobre construtor do engenho esteja fadado a arder no fogo do inferno. Pelo contrário, a obra é bela, histórica, vale por si só e é um distintivo da cidade de Paraibuna. Que vá para o inferno aquele que quiser desfazê-la.

Recomendações de leitura:

O livro abaixo é o de autoria de São Tomás de Aquino, que mencionei neste texto. Ele discorre muito bem sobre a influência dos astros, em um momento em que ainda não possuíamos conhecimento suficiente para pensar o contrário.

SÃO TOMÁS DE AQUINO. Compêndio de Teologia. Rio de Janeiro: Presença, 1977.

O endereço abaixo contém uma cópia do paper onde Bertram Forer descreve seu experimento pioneiro:

http://apsychoserver.psych.arizona.edu/JJBAReprints/PSYC621/Forer_The%20fallacy%20of%20personal%20validation_1949.pdf


*Abaixo, vários trechos bíblicos em que são condenadas as práticas astrológicas. Alguns são verdadeiramente cruentos, é melhor se prevenir (kkk):

Deuteronômio 18,10: Não se ache no meio de ti quem faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, nem quem se dê à adivinhação, à astrologia, aos agouros, ao feiticismo,

Deuteronômio 4,19: Quando levantares os olhos para o céu, e vires o sol, a lua, as estrelas, e todo o exército dos céus, guarda-te de te prostrar diante deles e de render um culto a esses astros, que o Senhor, teu Deus, deu como partilha a todos os povos que vivem debaixo do céu.

Deuteronômio 17, 2-5: Se se encontrar no meio de ti, em uma das cidades que te dá o Senhor, teu Deus, um homem ou uma mulher que faça o que é mau aos olhos do Senhor, teu Deus, violando sua aliança, indo servir outros deuses ou adorando o sol, a lua, ou o exército dos céus - o que eu não mandei -, se te derem aviso disso, logo que o souberes, farás uma investigação minuciosa. Se for verdade o que se disse, se verificares que realmente se cometeu tal abominação em Israel, farás conduzir às portas da cidade o homem ou a mulher que cometeu essa má ação, e os apedrejarás até que morram.

Isaías 47,13-15: Esbanjaste teus esforços entre tantos conselheiros. Que eles então se levantem e te salvem, aqueles que preparam o mapa do céu e observam os astros, que comunicam a cada mês como irão as coisas. Ei-los como argueiros de palha que o fogo consumirá; não poderão escapar às investidas da chama. (Não será um braseiro onde se coze o pão, nem um fogo perto do qual se assenta). Eis o que valerão teus feiticeiros que tens procurado consultar desde tua juventude. Eles fogem espavoridos, cada qual para seu lado, sem que nenhum venha em teu socorro.

2 Reis 21:6: Fez passar pelo fogo seu próprio filho; entregou-se à magia, à astrologia, à necromancia e à adivinhação. Multiplicou as ações que ofendem o Senhor, provocando assim a sua ira.

2 Reis 23.5: Despediu os sacerdotes dos ídolos que os reis de Judá tinham estabelecido para oferecer o incenso nos lugares altos, nas cidades de Judá e nos arredores de Jerusalém, assim como os sacerdotes que ofereciam incenso a Baal, ao sol, à luz, aos sinais do zodíaco e a todo o exército dos céus

Ezequiel 8.16-18: Levou-me então ao interior do templo. À entrada do santuário do Senhor, entre o vestíbulo e o altar, avistei cerca de vinte e cinco homens, que, de costas para o santuário do Senhor, com a face voltada para o oriente, se prosternavam diante do sol. Filho do homem, disse-me ele, vês isto? Não basta à casa de Judá entregar-se a esses ritos abomináveis que aqui se praticam? Haverá ainda ela de encher a terra de violência, e não cessará de me irritar? Ei-los que trazem o ramo ao nariz. Está bem! Eu, de minha parte, procederei com furor, não terei condescendência, serei impiedoso. Inutilmente clamarão a meus ouvidos, não os ouvirei.

Jeremias 8.1-3: Naquele tempo - oráculo do Senhor - serão retirados de seus sepulcros os ossos dos reis de Judá, dos seus chefes e sacerdotes, dos seus profetas e habitantes de Jerusalém. E serão expostos ao sol, à lua e à multidão das estrelas que tanto amaram e serviram, e que seguiram, consultaram e adoraram. Esses ossos não serão mais recolhidos, nem enterrados, permanecendo como adubo na superfície do solo. Preferível à vida será a morte para os sobreviventes dessa raça perversa, em todos os lugares pelos quais eu os houver dispersado - oráculo do Senhor dos exércitos.