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segunda-feira, 27 de abril de 2026

O café filosófico do quotidiano – a família tradicional brasileira é o único modelo válido de família?

(Papai, mamãe e filhinhos não estão errados, mas não são só eles que estão certos)

“Nesse país [nota minha: o território do Havai, ainda não integrante dos EUA], todos os filhos de irmãos e irmãs, sem exceção, são irmãos e irmãs entre si e são considerados filhos comuns, não só de sua mãe e das irmãs dela, ou de seu pai e dos irmãos dele, mas também de todos os irmãos e irmãs de seus pais e de suas mães, sem distinção”.

Engels

Olá!

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Convicções são uma ratoeira na mão de criança. Quando confiamos cegamente em uma coisa qualquer, perdemos o juízo e tendemos a fazer bobagens por força de uma inocência forçada ou da lei do menor esforço. Diz meu sogro: “não confio nem nas minhas calças, porque elas podem rasgar e mostrar meu traseiro”, justo ele que já teve problemas por confiança em conselhos alheios (leiam) e que já teve a calça rasgada. Mas o princípio geral é justo.

Uma das minhas convicções está calcada no preparo do café, que podem até ser ousadas, mas sempre colocando os parênteses do risco e da bebida que pode levar outro nome. Café é café, punto, finito. Por esta razão, ou se percola, ou se infunde. Tudo o mais são fenômenos de circo.

Exageros à parte, os métodos gerais de percolação são vários, sendo que alguns são mais tradicionais do que outros, mas todos seguem o mesmo princípio da gravidade. Sendo assim, os diferenciais estão mais ligados à velocidade de escoamento, potencialização dos óleos e assim por diante.

O Bodum Pour Over é um método de nome feio com resultados bonitos. O nome vem de seu criador Peter Bodum, um dinamarquês que fundou uma fábrica de utensílios domésticos na Suíça. Além de reproduzir métodos para extração consagrados, criou um próprio, baseado em outros já existentes, para juntar melhores dos mundos.


É uma combinação do decanter Chemex com filtros econômicos. Do primeiro, traz o formato de vidraria química e uma pega removível feita em cortiça. É mais fácil de remover e de lavar do que a própria Chemex, favorecendo sua higienização.


Já para filtrar, ele possui um filtro metálico de rigor bastante alto, com as vantagens de permitir um corpo mais denso, já que há menor retenção de óleos. Isso reflete na textura na boca e no buquê ao olfato.

O resultado final produz um café encorpado, com um pouco de resíduos, é fato, mas com ótima qualidade, sendo que já estava dentre meus favoritos há algum tempo, embora seja meio raro de encontrar nas cafeterias espalhadas por aí.


Nome do utensílio: Bodum Pour Over

Tipo de técnica: percolação em filtro metálico

Dificuldade: Baixa

Espessura do pó: Média/grossa

Dinâmica: O filtro metálico recebe o café em espessura não muito fina, para evitar excesso de resíduos. A água deverá ser despejada cuidadosamente, em movimentos circulares, também para evitar a transposição de resíduos. Após o escoamento, tapar com o utensílio próprio e evitar despejar nas xícaras até o final. O ideal é dar um descanso de uns cinco minutos para uma boa decantação.  

Resíduos: Médios

Temperatura de saída: Média

Nível de ritual: Médio

 

É uma boa combinação de modernidade e tradição, valendo-se das virtudes do vidro borossilicato e do metal como economizador de filtros, o que, exceção feita a puristas muito raivosos, supre bem a necessidade de se consumir filtros de papel de uso único. É, assim, um bom tanto ecológico este método. E desminto a mim mesmo no quesito tradicionalismo, ao menos no aspecto dogmático. Mas, como disse logo na primeira frase, dogmas são coisas complicadas. E tenho histórias sobre esse tema.

A Dona Madalena era possuidora de uma verve crítica que muitas vezes até passava do ponto. Casmurra, não costumava dar fé de muitas coisas que falavam para ela, muito diferentemente do que é habitual nas tertúlias divertidas entre vizinhos. Mas ela se derretia quando se via à frente de manifestações que exaltavam valores ditos conservadores, catolicona alla Jorge de Burgos que era. Não admitia que moças suspeitas se casassem de branco, a ponto de fazer escândalo com o padre que admitisse tal liberalidade. Não aceitava católicos de conveniência, e explodia contra a maçonaria dentro da igreja, ou dos comunistas da Teologia da Libertação, fanfarrões da libertinagem, no dizer dela. Foi com esse espírito que ela foi visitada pela patroa, certa feita, para cuidar de uma “ferida arruinada”, nome popular para úlcera varicosa que sazonalmente lhe visitava.

Enquanto recebia o curativo, ela contou para a patroa, toda entusiasmada, que uma bancada à frente da Catedral da Sé estava coletando assinaturas de um abaixo-assinado. Eu não tenho boas lembranças desse tipo de manifesto. Neste mesmo prédio, de propriedade de uma igreja daqui do centro de SP, o pessoal começou a se mobilizar para pedir a instalação de câmeras na porta, em vista da violência tão típica desta região. Reclamavam de boca solta que ninguém se incomodava com a segurança dos moradores e que era preciso providências. Só que, das senhorinhas, nenhuma tinha uma impressora. Eu tinha, e me propus a imprimir a ficha, achando justa a causa e insignificante o incômodo. Quando o documento chegou ao proprietário, o nome que tremeluzia era o meu, pelo pecado de haver imprimido o dito cujo, que ousadia. Acabei ficando como autor da acintosa contenda, principalmente porque, obviamente, não houve boa alma cristã que explicasse o fato ao priorado, diante da sua reação de pouco humor, preferindo o assovio de cantigas vetustas ou comentar sobre o clima. Ganhei o estatuto de idealizador da revolta octogenária, e ganhei uma pecha na testa, a ponto de precisar dar explicações. “Nunca mais”, estabeleci a mim mesmo, e tenho cumprido à risca essa minha autodeterminação. Voltando para a história, uma mesinha no meio do fervo da Praça da Sé coletava assinaturas enquanto um grupo entoava hinos antigos. Não é tão raro de ver cena semelhante nessas cercanias.

Mas do que se tratava o manifesto que mereceu tão entusiástica adesão da mencionada senhora? Nem ela mesma sabia ao certo. Era uma espécie de moção pela família tradicional brasileira, mas que a macróbia não absorveu se era para alguma lei, alguma reclamação contra uma lei, se ia ao congresso, à assembleia ou à câmara. Não sabia se era contra casamento gay, contra o aborto, educação sexual nas escolas, validade de uniões estáveis ou qualquer outra dessas poucas vergonhas ligadas ao sexo, esse caminho da perdição que Deus criou só para trollar suas criaturas, gostoso e proibido. As palavras-chaves eram família e tradição, tão caras a uma determinada camada da população. A questão é que ela contou tudo isso heroica para a patroa, como se fosse uma paladina desses valores, e estivesse, com isso, salvando o país da praga do… do… do… não sabia o que, apenas que eram emissários do diabo.

Como assim? Ora, se ela não sabia bem o que assinou a favor, não sabia o que assinou contra, além de não saber exatamente quem estava conduzindo o pleito. Mas sabia que colocou o RG e o CPF na lista, ao que a patroa, que tinha momentos de impaciência educada com ela, redarguiu tratar-se de risco. “Dona Madalena, a senhora deu seus dados assim, sem nem saber a quem”?

A velhinha não se tocou disso, empolgada pelo discurso agudo e pelo fardamento tão impressionante, quanto extemporâneo. Parecia uma certidão das melhores intenções daquele povo enfezado, que jura louvores diante do sacrário. Todavia, a patroa fez questão de lhe informar que, da mesma forma que se pode perjurar diante do altar, também é possível colocar uma roupa de soldadinho da Idade Média e levar a engodo seu público-alvo. Afinal de contas, não é nenhuma novidade que os velhinhos são alvo preferencial de golpistas, frente à confusão que lhes causam as modernidades do quotidiano. E, além disso, o diabo não é feio; aliás, deve ser belíssimo. Do contrário, não inspiraria confiança em tanta gente. Quem seria capaz de acreditar em um chifrudo vermelho com rabo de seta e para de cabra?

Nossa impávida velhinha parou por alguns segundos olhando a cara da consorte, e mais alguns olhando o vazio, até se dar conta do risco de fornecer números a desconhecidos. Daí começou a pira: vou ter que mudar a conta do banco, a senha do cartão, fazer um BO, essas coisas de quem é assaltado. “Nem tanto a Deus, nem tanto ao diabo”, retrucou a patroa. Não torne o prejuízo maior do que ele é. Acalme-se e seja cuidadosa com as ligações que receber. E reze, aconselhou sarcástica.

É estranho que a Dona Madalena fosse tão defensora da família, sendo que ela morreu sem que sequer houvesse um único parente conhecido para ajudar no enterro, ou para assinar a papelada. Foi muito complicado desembaraçar todas as legalidades e dar as baixas necessárias, não fosse uma procuração dada à cara-metade, e seguiríamos o mandato cristão de deixar os mortos cuidar dos seus mortos (Lc 9:60). Mas passamos nossas oito horas na delegacia, sete horas no IML e ainda outras tantas de velório e enterro, além dos trâmites burocráticos post mortem, para deixar a reputação da defunta imaculada. Mas o fato concreto e real é que a macróbia era defensora da tal família tradicional.

Ultimamente, temos visto uma escalada na discussão sobre valores familiares. Eu acho que estes são meio que indisputáveis, e a dificuldade maior não está em aceitá-los como válidos, porque dificilmente alguém é contrário ao conceito, mas a quem eles se dirigem. A questão é quem é legítimo representante de uma família e quem não é – o que pode ser considerado como família e o que não pode. Como é um assunto recorrente em termos de polarização, é preciso ter uma palavrinha sobre o assunto. Só que eu pretendo dar um passo atrás, e menos discutir o que é certo ou o que é errado, e mais entender como se formou a ideia em si. Vamos tentar.

Cartesianamente, a primeira coisa que deveremos fazer é separar os termos para analisá-los individualmente, para depois sintetizar tudo em uma só explicação. Começando pela família, na definição de dicionário temos que se trata da união de pessoas através de um vínculo afetivo, curto e grosso. É normal dentro de nossa sociedade que esse vínculo afetivo seja formado com maior vigor dentro do modelo judaico-cristão, por ser aquele que predominava em nossos colonizadores europeus, mas que, mesmo aqui, foram defrontados com modelos um pouco diferentes, pré-existentes através dos indígenas. Certas tribos possuem um conceito mais amplo de parentesco, abarcando como familiar a totalidade ou partes consideráveis da tribo, mesmo com inexistência de laços sanguíneos. Já na América do Norte, sabemos através de Morgan (apud Engels) que os índios iroqueses tinham um tratamento cruzado entre membros da família, sendo que os filhos dos irmãos são igualmente considerados filhos, enquanto os filhos das irmãs são chamados de sobrinhos. Portanto, ainda que sob a lógica do colonizador o conceito de família seja menos variável, o fato é que, se não assumirmos essa estrutura como verdade absoluta, teremos uma variação expressiva na conceituação do que é família, ainda que ela não escape do aspecto endêmico.

Ocorre que mesmo na lógica europeia o conceito de família não era exatamente igual ao que se considera a família nuclear, e também modernamente já se escala desse mesmo modelo. Como sabemos, a previdência social é uma invenção recente, necessária com o aumento do tempo de vida dos habitantes do planetinha, mas sempre existiram os velhos, ainda que em menor número. Como se fazia para sustentá-los quando o corpo já não respondesse às necessidades e não houvesse um pé-de-meia para sustentá-los? Tínhamos os clãs, agrupamentos familiares em que a vida comum visava fornecer todos os elementos de uma tribo, incluindo o cuidado com os mais velhos. Quanto maior a prole, mais simples a manutenção dos mais velhos, que, de resto, não duravam tanto em tempos passados. É preciso ainda informar que a própria origem da palavra família (do latim famulus) está relacionada ao pater familias, que era a pessoa a quem um grupo inteiro estava subordinada, o que agrupava a esposa, os filhos, os servos e escravos. Sendo assim, o laço sanguíneo não é unívoco para explicar o conceito, mas é um derivativo muito forte quando queremos passar uma designação mais moderna.

Por outro lado, uma maior absorção da lei civil perante os ditames religiosos levou à aceitação do divórcio, a dissolução dos laços matrimoniais que não possuem solução de continuidade na igreja. Isso faz com que as estruturas familiares se tentacularizem: um filho oriundo de pais divorciados passa a conviver com a família do pai e a família da mãe, que podem vir a ter meios-irmãos e um núcleo muito mais pulverizado. São novos costumes que foram sendo implantados aos poucos, num processo de secularização que é visto como poeira nos olhos de religiosos mais conservadores.

Já a tradição diz respeito à transmissão que se faz de qualquer coisa a alguém. Pode ser um bem, pode ser um objeto, pode ser um uso ou um costume, mas o que caracteriza a tradição é passar algo que é seu para outrem. Quando vendemos uma casa, ou a doamos para uma fundação, ou a passamos por herança aos nossos filhos, estamos concretizando uma tradição. Mas, embora o termo seja afeito e correto, não é seu uso comum. Ele diz mais respeito a valores de uma determinada comunidade, que são importantes o suficiente para serem mantidos através das gerações. Isso inclui uma gama imensa de coisas: identidade cultural, memórias, fazeres comunitários, sistemas simbólicos, linguajares e indumentárias, manifestações artísticas, saberes ancestrais e muito mais. Notem que tradição, nesse sentido, está mais ligada a importâncias afetivas do que materiais, beirando e até mesmo absorvendo o espiritual, razão pela qual a religião é um dos seus componentes mais significativos. O que vai ter tudo a ver com o próximo item.

Por fim, quando falamos em família tradicional brasileira, é preciso fazer um ajustamento para que coloquemos as coisas em pratos limpos, porque “brasileiro” são os índios e seus animismos, os negros e seus candomblés, os orientais e seus budismos, os árabes e seus islamismos, mas a cultura preponderante é de matriz europeia, predominantemente cristã. Portanto, vamos tratar a família tradicional brasileira como família tradicional cristã, porque este é seu sentido real.

O Cristianismo possui um corpus teórico ao redor da família onde o núcleo é constituído por pai, mãe e filhos, com essa ordem de precedência, segundo seus cânones. O casamento é indissolúvel e deve ser realizado entre homem e mulher, sob pena de concretização do pecado e da ausência de chancela do sacramento do matrimônio, selo de legitimidade dado por eles. Até bem pouco tempo atrás, mais valia o casamento na igreja do que no âmbito estatal, sendo que a lei reconhece valor legal para o primeiro, se cumpridas as cerimônias de registro. Embora somente reconheça o casamento monogâmico, é preciso recordar que ela vem de substrato judaico antigo, que admitia relações de concubinato e de perpetuação da descendência com a participação de terceiras, sempre com a preocupação do componente marital. O principal propósito do sexo dentro do casamento cristão é reprodutivo, sendo que várias vertentes consideram meios de impedimento à gravidez uma atitude pecaminosa. O sexo com propósito de prazer é visto com maus olhos, e subordinado ao propósito principal.

Enfim, juntando as peças, família tradicional brasileira é aquela que une homens e mulheres cujo principal propósito é manter a estrutura social através da transmissão de valores a uma descendência, e cujo esteio axiológico é o cristianismo. Ainda que se admitam variações, o cerne duro é o de família nuclear monogâmica. Até aqui, falamos de fatos.

Agora, um certo viés opinativo. Quem não estiver interessado em saber o que penso, pode parar por aqui mesmo, senão, andiamo avanti. Há um grande problema na maneira como o termo é colocado nas discussões. Há um sequestro do conceito ao se discutir uma forma padrão de como deveria se constituir uma família. Há quem imponha um formato fechado e que atribua a este toda a realidade que é como chegamos até hoje, e, por outro lado, um certo desprezo por quem não se vincula ao modelo preponderante vigente. Por um lado, um modelo familiar considera os outros como opostos a si mesmos. Para o tradicional, a família nova é errada, imoral, prejudicial para o modelo social implantado; no vice-versa, temos uma família quadrada, careta, paralisada no tempo, inapropriada para quaisquer relações que não sejam aquelas de convenção e, portanto, excludente. Essas posições trazem muita dificuldade para qualquer tipo de diálogo, e o que vemos é a questão se perpetuando sem solução de continuidade.

Eu não posso me considerar contrário à família tradicional, porque eu mesmo constituí uma. Casei-me nos papéis e na igreja, com noiva mulher de sexo e gênero, de branco e com os cursos prestados, como manda o figurino. Tive filhos que também tiveram seus casamentos no mesmo modelo, e deu certo. Vamos vivendo bem, na medida do possível. Portanto, é um modelo que funciona, mas funciona para mim. Outros modelos funcionam igualmente bem, e igualmente mal. Porque o grande problema da família tradicional brasileira não está no modelo em si, um dentre outros, mas na espécie de imposição que se quer fazer sobre os demais modelos. E a hipocrisia.

O casamento na família tradicional pressupõe uma relação de fidelidade entre seus membros, especialmente entre marido e mulher. Ocorre que esta fidelidade, não sejamos nós também cínicos, é culturalmente mais exigida para o lado feminino. Os rapazolas são levados pelos próprios pais para “conhecer a vida”, enquanto das filhas se exige discrição e pureza. É verdade que essa moral está em declínio, mas o redivivo conservadorismo se opõe à liberdsde sexual, em especial de moçoilas. e isso tem um componente perverso.

Sexo anal e felações não eram coisas para serem feitas por mulheres de bem, ainda que dentro do casamento. Depilação de pelos pubianos também não eram bem-vistas. A cama não podia ser o palco onde o livre exercício da sexualidade levasse às fronteiras do prazer sexual. As esposas ficavam na incômoda posição de se manterem honradas, mas sabedoras das escapadas dos maridos, justamente para obter essas benesses às quais não deveriam receber em casa, coisas de puta.

A coisa é até mais profunda, com coisas muito sutis sendo descartadas para uso respeitável. Autênticas bobagens, como correntinhas de tornozelo ou tatuagens de borboleta (até a década de 90 qualquer tatuagem) são ditos como identificadores de promiscuidade, algo que é sempre ruim para a mulher, uma ofensa mais pontiaguda.

Acontece que, vistas por um lado mais físico, essas coisas de puta são aquilo que dá um colorido diferente ao ato, pelo simples fato de aumentarem as opções do cardápio sexual. Uma das frases mais comuns para justificar a traição é que “ninguém vive somente de arroz com feijão”, e como a picanha apimentada não pode ser feita em casa, eis que ela é buscada em outras mesas, porque, ora essa, ela é saborosa. Priva-se a esposa de provar outros sabores e o marido de manter sua fidelidade. Impedir-se-ia a pulada de cerca? Não, mas haveria bons elementos para melhorar a resistência preconizada pela ideologia. O resto, é pura hipocrisia banhada de misoginia.

Portanto, não vejo nenhum tipo de problema em quem tem sua opção familiar pelo caminho mais tradicional, mas que não se impeça de se reconhecer que os demais modelos, respeitados os limites legais (que já são bastante banhados de fundo cristão), tenham igual valor, concedam iguais direitos e exijam iguais deveres. Tudo o mais vem recheado de uma visão exclusivista que, aliás, se traveste de moralismo sem o ser de fato. Bons ventos a todos!

Recomendação de leitura:

Fico desta vez com a citada de raspão obra de Engels, que desenha o caminho da formação das famílias até chegar no Estado.

ENGELS, Friedrich. A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado. São Paulo: Escala, 2009.



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